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Energia das mãos : O despertar da magia Helena Blavatsky

Em 1880, no Sri Lanka, Blavatsky e Olcott realizaram a cerimônia de “tomar Pansil”, os cinco preceitos budistas leigos, também refugiando-se em Buda, Dharma e Sangha.

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Instituto IDG

Transformação social por meio de ações socioeducativas socioculturais Realização de cirurgias plásticas reparadoras em vítimas de violência doméstica.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Atendimento Humanizado: como adaptar sua clínica e quais os benefícios

  Atendimento Humanizado: como adaptar sua clínica e quais os benefícios

Você consegue se lembrar da sensação na última vez que teve um bom atendimento? Você deve se lembrar do local, das pessoas, do produto ou serviço que adquiriu. E muito provavelmente, deve ter falado deste lugar pra outras pessoas. 

Um bom atendimento envolve relacionamento, escuta ativa e disponibilidade. Por isso, é muito importante que uma clínica ou consultório invista em um atendimento humanizado a fim de estreitar a relação médico-paciente. Isso é algo fundamental para oferecer um serviço de saúde de qualidade e garantir uma boa experiência ao público.

Além disso, existem diversos benefícios que podem ser obtidos a partir dessa forma de abordagem. Continue lendo este artigo para entender tudo sobre o atendimento humanizado e aprender como adaptar seu negócio a ele.

O que é atendimento humanizado?

Basicamente, o atendimento humanizado tem a proposta de dar assistência às necessidades dos pacientes. Ele não foca apenas na doença ou no problema de saúde, mas sim na pessoa. Para uma empresa da área da saúde, essa é uma estratégia bastante relevante.

Isso porque, muitas vezes, o cliente fica inseguro para saber sobre como vai ser um tratamento ou um diagnóstico. Além disso, para alguns indivíduos essa é uma situação de fragilidade. Por isso, cabe à equipe da clínica e ao médico acolher o paciente e acompanhá-lo durante a sua consulta.

Então, uma das formas de melhorar essa situação é através de uma abordagem de atendimento mais humanizada. Nesse sentido, os serviços realizados pelo profissional de saúde devem ser planejados pensando no bem-estar do seu público. Continue lendo e veja algumas das vantagens que método oferece para sua clínica!

Conheça os benefícios de oferecer essa forma de atendimento

O atendimento humanizado está cada vez mais presente nas clínicas, consultórios e entre outras instituições da área da saúde. Esse tipo de atendimento, além de ser uma forma de demonstrar preocupação com seu paciente e seu bem-estar, pode trazer ótimos benefícios para seu negócio. Alguns deles incluem a valorização do profissional da saúde, a redução de filas e o atendimento acolhedor. Confira!

Fideliza os pacientes

Essa tática de atendimento é uma excelente maneira de fidelizar seus pacientes. Isso porque, tentar atrair novos clientes é mais difícil do que manter aqueles que você já tem. Além disso, sairá ainda mais caro investir em estratégias de marketing para a atração de novos pacientes — algo que não precisa ser realizado com tanta intensidade quando já se tem um paciente fidelizado.

Um cliente que é fiel ao seu negócio, além de não frequentar a concorrência, pode convencer familiares e amigos a visitarem sua clínica devido à qualidade do seu serviço. Portanto, ele passa a falar bem da sua empresa, o que pode levar outras pessoas a agendarem uma consulta com você.

Otimiza a imagem da sua clínica

Um dos grandes diferenciais de um negócio é a qualidade do atendimento. Provavelmente, você conhece um lugar que oferece um ótimo produto ou serviço, mas que por receber um atendimento pouco satisfatório, você desiste de frequentar o local.

Assim, podemos relacionar essa situação com a sua clínica, por exemplo. O seu paciente pode fazer o mesmo caso ele não receba um atendimento de qualidade e que ele se sinta confortável.

Desse modo, no momento em que o profissional de saúde aposta em um atendimento mais humanizado, o cliente poderá sentir-se mais acolhido, desde a recepção realizada pela secretária até o final da sua consulta. Com isso, ele certamente indicará o seu negócio, agregando valor e melhorando a sua credibilidade.

Melhora o relacionamento

No começo, pode não ser simples criar um relacionamento entre a clínica e o paciente. Porém, isso pode mudar quando há um investimento no atendimento humanizado.

Sabendo que essa abordagem pode ajudar na fidelização do paciente, consequentemente, ela pode melhorar a sua relação com o médico. Isso acontece devido à maneira na qual ele é atendido e recepcionado na clínica, ou seja, com muita empatia e acolhimento.

Descubra como inserir o atendimento humanizado na sua clínica

Agora que você conhece os benefícios dessa prática, apresentaremos algumas dicas que podem ser aplicadas na sua clínica ou consultório a fim de tornar o atendimento aos pacientes ainda melhor.

Antes disso, é importante ter em mente que essas mudanças podem ser feitas desde o treinamento dos colaboradores até a gestão do negócio. Entenda!

Ambiente físico

Atualmente, muitos consultórios já criam ambientes diferentes e fora do padrão, fugindo do tradicional ambiente “branco hospitalar”. Essa mudança, é muito importante para tornar o local mais aconchegante para o paciente.

Mesmo que a clínica aposte em cores mais discretas, elas não deixam de ser relevantes para o ambiente. Um exemplo disso é um consultório de odontologia utilizar tons de cores azulados ou consultórios de pediatria terem desenhos infantis a fim de prender a atenção da criança.

O atendimento humanizado também pode ser implementado ao criar um cantinho só para as crianças se distraírem enquanto aguardam a consulta. Isso será benéfico tanto para os pequenos quanto para os pais.

Além disso, é interessante apostar em revistas e conteúdos que sejam mais atuais para compor o ambiente da sua clínica. Isso porque ainda existem consultórios que deixam leituras desatualizadas para os clientes, podendo ser pouco interessante para seu público.

Essa dica de transformar o ambiente físico é uma ótima forma de suavizar a tensão da clínica ou consultório. Isso também pode ser feito através da implementação de TVs com novelas, músicas e outros programas que podem distrair os pacientes enquanto eles aguardam na sala de espera.

Acessibilidade

Outro ponto importante é a acessibilidade da clínica. Ela precisa conter pisos antiderrapantes para facilitar o acesso de qualquer pessoa, bem como rampas e corrimãos. É interessante também que o negócio disponibilize folders com explicações e informações que possam esclarecer quaisquer dúvidas dos clientes.

Dessa forma, eles podem obter um conhecimento maior sobre uma patologia e aprender outras dicas relacionadas a saúde.

Treinamento da equipe

Um dos passos para oferecer um atendimento humanizado é padronizar as etapas de atendimento de modo que elas foquem nas necessidades dos pacientes. Para isso, é possível treinar a sua equipe para que todos aprendam a tratar o paciente da forma correta.

Isso pode ser feito por meio da demonstração de empatia, gentileza e acolhimento na hora do profissional conversar com o cliente. Além disso, é importante que a secretária e o médico se mostrem disponíveis para esclarecer dúvidas ou qualquer outra necessidade do cliente.

Agora que você conhece a respeito do atendimento humanizado e de sua importância, comece aplicando as dicas citadas na sua clínica. Essa abordagem poderá trazer diversas melhorias para o seu negócio. Porém, se você tem dificuldades em aplicar esse modelo de atendimento, é possível contar com um sistema de gestão para facilitar diversos processos. Esse sistema também auxilia na economia de tempo, na organização e na satisfação dos pacientes.

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domingo, 29 de janeiro de 2023

Glândulas de Tyson: o que são, porque aparecem e tratamento

 As glândulas de Tyson são um tipo de estruturas do pênis que estão presentes em todos os homens, na região em volta da glande. Estas glândulas são responsáveis por produzir um líquido lubrificante que facilita a penetração durante o contato íntimo e são, muitas vezes, invisíveis.



No entanto, existem casos em que estas glândulas estão mais visíveis, parecendo pequenas bolinhas ou espinhas brancas em volta da cabeça do pênis e sendo chamadas cientificamente de pápulas peroladas. Conheça mais sobre as pápulas peroladas.

Normalmente não há necessidade de que seja feito tratamento para as glândulas de Tyson, já que se trata de uma alteração normal e benigna, porém caso o homem fique incomodado e sinta sua auto-estima diminuída, por exemplo, deve ir ao médico para que possa ser sugerida a opção de tratamento mais adequada.

Imagem ilustrativa número 1

Por que aparecem

As glândulas de Tyson são estruturas presentes no pênis desde o nascimento, não havendo outra causa relacionada ao seu aparecimento e sendo consideradas normais. No entanto costumam ser melhor visualizadas durante a ereção e a relação sexual, uma vez que são responsáveis pela produção de líquido lubrificante que facilita a penetração.

As pápulas peroladas são contagiosas?

As pápulas peroladas, provocadas pela presença das glândulas de Tyson, não são contagiosas e, por isso, também não são consideradas uma doença sexualmente transmissível.

Muitas vezes, estas lesões podem ser confundidas com verrugas genitais provocadas pelo vírus HPV, sendo que a única forma de confirmar o diagnóstico é consultar um urologista.

Sintomas da glândula de Tyson

Além de ser considerada uma estrutura normal e benigna, as glândulas de Tyson não levam ao aparecimento de sinais ou sintomas, porém pode causar desconforto estético para o homem.

As glândulas de Tyson são pequenas bolinhas brancas que aparecem por baixo a cabeça do pênis que não coçam ou doem, porém no caso de surgir qualquer sintoma é importante ir ao médico para que seja investigada a causa, pois nesses caso as bolinhas podem não corresponder às glândulas de Tyson. Conheça outras causas de bolinhas no pênis.

Como é o tratamento

Na maioria dos casos, as glândulas de Tyson não precisam de qualquer tipo de tratamento, pois são benignas e não causam problemas de saúde. Porém, em alguns homens, podem causar uma grande alteração da imagem do pênis, o que acaba dificultando suas relações. Nesses casos, o urologista pode recomendar:

  • Cauterização: esta técnica consiste em usar uma corrente elétrica para queimar as glândulas e removê-las da glande. Normalmente, este procedimento é feito com anestesia local;
  • Pequena cirurgia: o médico aplica anestesia local e depois utiliza um bisturi para remover as glândulas. Esta técnica pode ser feita no consultório por um urologista experiente;

Embora fosse mais fácil aplicar um remédio ou pomada para eliminar as glândulas de Tyson, ainda não existem. Além disso, a remoção das pápulas peroladas pode causar ressecamento do pênis, que fica irritado e com a pele quebrada mais facilmente. Dessa forma, o tratamento é quase sempre evitado e não recomendado pelo urologista.

Existe tratamento caseiro?

Existem ainda várias opções de tratamento caseiro, com ácidos e remédios para verrugas e calos, no entanto, não são seguros para a saúde, uma vez que podem provocar grave irritação do pênis, devendo ser evitados.

Em todos os casos é sempre aconselhado consultar um urologista antes de tentar fazer qualquer tipo de tratamento caseiro.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Anatomopatológico /Biópsias /Peças cirúrgicas

 



O que é:


Consiste na análise de tecido retirado do indivíduo para fins diagnósticos.  Compreende o exame de víscera(s) e segmentos; e quando de pequenas dimensões é chamado de biópsia.

A biópsia então é um procedimento para remover uma amostra de tecido ou uma amostra de células do seu corpo para que possa ser analisado em laboratório. Se o paciente apresentar certos sinais ou sintomas ou se o médico identificou uma área a ser analisada, uma biópsia poderá ser feita para determinar alguma condição patológica ou mesmo um câncer.

Embora testes de imagem, como raios-X, sejam úteis na detecção de massas ou áreas de anormalidade, eles por si só não conseguem diferenciar células cancerígenas de células não cancerosas. Para a maioria dos cânceres, a única maneira de fazer um diagnóstico definitivo é realizar uma biópsia para coletar células para um exame mais detalhado.

Há vários tipos de procedimentos de biópsia. As mais comumente utilizadas são:

Biópsia endoscópica

Durante a endoscopia, usa-se um tubo fino e flexível (endoscópio) com uma luz na extremidade para ver estruturas dentro do seu corpo. Uma pinça especial é passada através do tubo para coletar uma pequena amostra de tecido a ser analisado.

O endoscópio pode ser inserido pela boca, reto, trato urinário ou por uma pequena incisão na pele. Exemplos de procedimentos de biópsia endoscópica incluem cistoscopia para coletar tecido de dentro da bexiga, broncoscopia para obter tecido de dentro do pulmão e colonoscopia para coletar tecido de dentro do cólon.

Dependendo do tipo de biópsia endoscópica à qual o paciente é submetido, poderá receber um sedativo ou anestésico antes do procedimento.

Biópsia de pele

Uma biópsia de pele é usada com mais frequência para diagnosticar doenças da pele, incluindo melanoma e outros tipos de câncer. Que tipo de biópsia de pele que será realizada dependerá do tipo de câncer suspeito e da extensão das células suspeitas. Os procedimentos de biópsia de pele incluem:

– Biópsia por “shaving”- O médico usa um instrumento semelhante a uma navalha para raspar a superfície da pele.

– Biópsia por”punch”- O médico usa um instrumento circular e afiado para remover uma pequena seção das camadas mais profundas da sua pele.

– Biópsia incisional. Durante uma biópsia incisional, o médico usa um bisturi para remover uma pequena área da pele. Por vezes são realizados pontos para fechar o local da biópsia depende da quantidade de pele removida.

– Biópsia excisional. Durante uma biópsia excisional, o médico remove um nódulo inteiro ou uma área inteira de pele anormal.

Biópsia cirúrgica

Se o tecido em questão não puder ser acessado com outros procedimentos de biópsia ou se outros resultados da biópsia forem inconclusivos, o médico poderá optar uma biópsia cirúrgica.

Durante uma biópsia cirúrgica, o cirurgião faz uma incisão na pele para acessar a área suspeita.

Exemplos de procedimentos de biópsia cirúrgica incluem cirurgia para remover um nódulo mamário para um possível diagnóstico de câncer de mama e cirurgia para remover um linfonodo para um possível diagnóstico de linfoma ou outras doenças.

Os procedimentos de biópsia cirúrgica podem ser usados para remover parte de uma lesão (biópsia incisional).

Ou a biópsia cirúrgica pode ser usada para remover a totalidade da lesão (biópsia excisional).

Biópsia por agulha grossa, “core biopsy”

Durante uma biópsia por agulha, o médico usa uma agulha especial para extrair fragmento tecidual de uma área suspeita.

A biópsia guiada por imagem permite que o médico acesse áreas suspeitas que não podem ser sentidas pela pele, como anormalidades no fígado, pulmão ou próstata. Usando imagens em tempo real, o médico pode garantir que a agulha chegue ao local correto.




Análise e resultados

Depois que o médico obtém uma amostra de tecido, ela é enviada para o laboratório para análise. A amostra é tratada quimicamente e cortada em seções muito finas. As seções são colocadas em lâminas de vidro e coradas.

O estudo histológico é realizado pelo médico patologista, que a luz de informes clínicos e cirúrgicos elabora um parecer diagnóstico.

Este parecer informará o médico solicitante se as células são cancerígenas ou não; se as células são cancerígenas, os resultados da biópsia podem informar também onde o câncer se originou - o tipo de câncer, entre outras coisas.

Uma biópsia também poderá determinar o grau de agressividade do tumor - o grau do câncer.

Os cânceres de baixo grau (grau 1) são geralmente os menos agressivos e os de alto grau (grau 4) são geralmente os mais agressivos. Essas informações podem ajudar a orientar as opções de tratamento. Outros testes especiais nas células cancerígenas também podem ajudar a orientar as escolhas de tratamento.

Na maioria dos casos, os resultados da sua biópsia estão disponíveis em alguns dias. Algumas amostras podem precisar de mais tempo para serem analisadas.

Por vezes, dado as peculiaridades do caso em estudo são necessárias novas etapas técnicas, (colorações especiais, novas lâminas ou novas abordagens), a fim de que se possa firmar ou afastar hipóteses.



Arquivo de materiais já analisados:

O Laboratório mantém em arquivo o material já laudado - bloco histológico e lâminas histológicas-, pelo prazo legal de cinco anos (PARECER CFM Nº 27/94, de 29 de setembro 1994) e o disponibiliza para o paciente mediante solicitação.


 

Informes Técnicos:


Uma vez retirado, deve ser conservado em formalina (Formol a 10%) ou similar, até a sua análise.

No Laboratório é submetido a sucessivas etapas técnicas, até se obter uma camada ultrafina (3 a 5 micra), passível de ser observada ao microscópio óptico.

Fixadores: Formalina (Formol a 10%) em proporção de 1/10 (volume da peça/volume de formalina).

Determinados tecidos, como biópsia renal, testicular e biópsia de medula óssea, requerem fixadores especiais como o Líquido de Bouin (disponibilizado pelo laboratório).

Evitar seccionar ou abrir a peça previamente ao exame.

Utilizar frascos de boca larga, evitando comprimir a peça e garantindo a fixação adequada.

Fazer-se acompanhar sempre da requisição, com dados clínicos / cirúrgicos.

Na dúvida, contatar o Laboratório.



Manual Prático de Biomedicina no Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Fisiologia Renal

 

Rins

Rins são estruturas responsáveis pela formação da urina. Apresentam formato de feijão, e, neles, analisando-os internamente, é possível perceber duas regiões: o córtex e a medula.


Os rins são os órgãos do sistema urinário responsáveis pela formação da urina. Apresentam um formato que lembra um feijão, e possuem um tamanho compreendido entre 10 cm e 13 cm de comprimento e peso de 120 g a 180 g.

Externamente, percebe-se que o rim é revestido pela cápsula verdadeira, pela gordura perirrenal e pela fáscia renal. Internamente, percebe-se duas porções distintas, o córtex e a medula, regiões onde estão os néfrons, unidades funcionais dos rins.

Órgãos vitais para o funcionamento do nosso corpo, os rins merecem atenção. Entre os principais cuidados que devemos ter com eles estão: ingestão de água e redução do consumo de sal. Os cálculos renais e a insuficiência renal são alguns dos problemas que os acometem.




Anatomia dos rins

Os rins são dois órgãos que fazem parte do nosso sistema urinário. Estão localizados na região lombar, acima da cintura, um em cada lado da coluna vertebral. O rim direito normalmente é menor que o esquerdo e está em uma posição um pouco mais baixa.

Possuem o formato de feijão, com uma borda convexa e uma borda côncava. Na região côncava, encontra-se o hilo, uma espécie de fissura pela qual passam vasos sanguíneos e linfáticos, nervos, e a pelve renal (porção dilatada do ureter).


Funções:

  • Filtração do sangue;
  • Regulação do líquido extracelular, eliminando-o para que o volume normalize, e da pressão sanguínea;
  • Regulação da osmolalidade: controlando a concentração de eletrólitos e solutos;
  • Manutenção do equilíbrio iônico: mantendo a concentração adequada dos íons;
  • Regulação do pH: controlando a acidez do plasma. Se esse estiver ácido, trabalha removendo H+ para que a concentração de HCO3- sobressaia. E se estiver alcalino é necessário conservar H+ para a manutenção do equilíbrio de potencial hidrogeniônico do plasma;
  • Excreção de subprodutos metabólicos que possam ser tóxicos para o organismo;
  • Apesar de não serem glândulas, os rins produzem e secretam alguns hormônios, como a eritropoetina, que atua regulando a produção de glóbulos vermelhos, e a renina, que atua na regulação da pressão sanguínea a partir do sistema renina – angiotensina II – aldosterona.

Reabsorção e secreção

Após passar pelo processo de filtração, o filtrado glomerular segue o caminho por outros ramos do néfron: túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal, túbulo coletor e ducto coletor, até, finalmente, ser excretado em forma de urina.

Imagem 4 – Fonte: Toda Matéria

A quantidade de soluto excretada é justamente o resultado da soma da quantidade de soluto filtrada mais a quantidade de soluto secretada, subtraindo-se a quantidade de soluto reabsorvida.

Como visto anteriormente, apenas 1% do líquido filtrado é excretado, o restante é reabsorvido.

A secreção difere-se da filtração por ser um processo mais seletivo.

A reabsorção tubular ocorre tanto por mecanismos ativos quanto passivos.

Os mecanismos ativos incluem o primário e o secundário:

  • Primário: é um mecanismo acoplado diretamente à fonte de energia, como a bomba sódio – potássio de adenosina trifosfatase que funciona ao longo da maior parte do túbulo renal. Além da reabsorção de íons sódio, assunto que abordaremos mais à frente. É responsável por mover os solutos contra o gradiente eletroquímico;
  • Secundário: é acoplado indiretamente à fonte de energia. A energia liberada durante o mecanismo ativo primário é utilizada para mover outra substância contra seu gradiente eletroquímico, caracterizando o mecanismo ativo secundário. Um dos exemplos desse tipo de mecanismo é a reabsorção de glicose pelo túbulo renal. 

Os solutos são reabsorvidos pelas células epiteliais ou entre as células, por vias transcelulares ou paracelulares.

A reabsorção de água ocorre por meio de osmose, um transporte passivo.

A reabsorção de sódio ocorre na maioria dos segmentos do túbulo e é um processo auxiliado por proteínas transportadoras, que também são fundamentais no transporte ativo secundário de outras substâncias, como glicose e aminoácidos.

Algumas moléculas maiores, como algumas proteínas que atravessam a lâmina basal, são reabsorvidas por meio da pinocitose. E a reabsorção de ureia, cloreto e outros solutos, como a creatinina, ocorrem por difusão passiva.

A secreção ocorre, como apresentado, de forma mais específica. São bases e ácidos orgânicos, produtos do metabolismo, que devem ser rapidamente eliminados. O potássio e o hidrogênio são dois íons de fundamental importância e que são secretados no processo de formação de urina.

Ambos os processos ocorrem por meio de co-transporte com os íons sódio. O potássio é através da bomba sódio-potássio, que cria um diferencial de concentração responsável por garantir com que esse, que está em maior concentração no interior da célula do que no lúmen do túbulo, seja transportado passivamente para o interior do túbulo.





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domingo, 18 de dezembro de 2022

AUTISMO EM ADULTOS: COMO LIDAR COM O DIAGNÓSTICO TARDIO

 O diagnóstico, mesmo que tardio, aliado à terapia, é fundamental para o autoconhecimento e desenvolvimento da independência.




O diagnóstico, mesmo que tardio, aliado à terapia, é fundamental para o autoconhecimento e desenvolvimento da independência.

 

“Entre a nossa comunidade, brincamos que crianças autistas não envelhecem; elas entram no pote no final do arco-íris e desaparecem.” É dessa forma descontraída, porém crítica, que Luciana Viegas, 28 anos, pedagoga, ativista pela neurodiversidade e idealizadora do movimento “Vidas negras com deficiência importam”, define a relação da sociedade com o apagamento dos adultos no espectro. 

De fato, a discussão sobre o transtorno do espectro autista (TEA) na fase adulta ainda é restrita, mas isso não significa que as pessoas deixem de fazer parte do espectro com o avançar da idade. O autismo é uma condição para a vida toda, e compreender seu funcionamento em cada fase da vida é fundamental para garantir qualidade de vida e inclusão social das pessoas autistas. 

        Veja também: Autismo na adolescência

Para começar a explicar o que é o TEA, o mais fácil é dizer o que ele não é. Ao contrário do que os estigmas afirmam, o transtorno do espectro autista não caracteriza uma doença, mas sim uma variação do funcionamento típico do cérebro. No livro “guia” dos diagnósticos de saúde mental, DSM-5, o TEA faz parte dos transtornos do desenvolvimento neurológico, no qual os sintomas tendem a se manifestar nos primeiros anos de vida. 

Esses sintomas são principalmente déficits em funções de comunicação, sociabilidade e interação, e a presença de comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas. Eles podem estar presentes em maior ou menor intensidade. 

 

Um autismo para cada pessoa

Há, inclusive, uma classificação com o objetivo de facilitar e orientar o manejo e as intervenções necessárias para cada pessoa. Atualmente, essa classificação é bastante questionada pela própria comunidade autista, uma vez que, por ser o espectro, é difícil “colocar em caixas” cada manifestação do transtorno. De qualquer forma, essa classificação é mais útil para definir o nível de apoio demandado por cada um. Ela é dividida entre graus e grupos.

  • Nível 1: existe uma dificuldade para a interação social, porém sutil, além de dificuldade para troca de atividades e problemas de organização, também de forma leve. Exige apoio leve. 
  • Nível 2: a dificuldade para socialização é maior. Há também uma resistência a lidar com mudanças, além de comportamentos repetitivos. Exige apoio moderado.
  • Nível 3: há déficit de comunicação verbal e não verbal de forma mais clara. A pessoa também possui dificuldade em abrir-se para interações sociais que partam de outras pessoas, muita dificuldade em mudanças e comportamentos repetitivos constantes. Exige muito apoio. 

“Já em relação ao grupo, existem a síndrome de Asperger; o transtorno autista; o transtorno invasivo do desenvolvimento; e, por fim, o transtorno desintegrativo da infância”, explica Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião, médico do Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Uma frase muito dita tanto pelos especialistas quanto por indivíduos autistas é que “Existe um autismo para cada pessoa”. E, considerando a variedade na manifestação dos sintomas e no funcionamento dentro do espectro autista, não há o que define melhor a condição. 

 

Descobrindo-se autista

Mas, quando falamos em adultos diagnosticados tardiamente, costuma haver um padrão: são pessoas que manifestam os sintomas de forma mais leve, tidas apenas como tímidas ou com dificuldades sociais típicas, o que atrasa o diagnóstico.

É o caso da Patrícia Ilus, 42, artista e apresentadora no “Adultos no Espectro”, projeto no Instagram que busca trazer visibilidade aos adultos autistas. Ela recebeu o diagnóstico apenas aos 41 anos, mas conta que sempre percebeu ter dificuldade em socializar. A decisão de buscar um especialista veio depois de uma situação no trabalho.  

“Tinha muitas dificuldades em relação a minha socialização, minha percepção sensorial e aos stims (movimentos autoestimulatórios), mas acreditava que era tímida e apenas diferente. Quando duas produtoras que trabalhavam comigo partiram para outros projetos, entrei numa crise profunda, que me fez ver que eu não tinha superado minhas dificuldades. Elas viabilizavam meu trabalho no que diz respeito a fazer contato com as pessoas. Sem elas, me senti completamente perdida e comecei a pensar seriamente que pudesse ser autista, pois sabia que a condição afetava relações sociais.”

A princípio, Patrícia buscou ajuda pelo SUS, mas infelizmente não encontrou uma equipe preparada para lidar com a possibilidade de um diagnóstico do TEA em uma pessoa adulta.

“Tentei apoio pelo SUS, mas não consegui prosseguir com a investigação. O clínico geral que me atendeu não levou minha queixa a sério, e disse que eu não era autista depois de 5 minutos de consulta. Tentei a psicóloga do postinho, mas os atendimentos foram suspensos com a pandemia. Resolvi juntar dinheiro para conseguir minha avaliação pela rede particular. Meu diagnóstico não foi demorado e não deixou dúvidas. Ou seja, eu só precisava encontrar os profissionais certos”, relembra.

 

Autismo e raça

O relato se assemelha ao da pedagoga Luciana, que, além de lidar com a falta de preparo da equipe, encarou ainda um outro empecilho: o racismo. “O autismo tem raça, classe social. Quando discutimos o transtorno, logo pensamos em um homem branco muito inteligente.”

Ela começou a suspeitar da condição depois que seu filho, Luiz, foi diagnosticado como autista quando tinha um ano e nove meses. A descoberta do próprio diagnóstico motivada pelo diagnóstico de um filho ou parente não é exclusividade de Luciana, como explica a seguir o dr. Marcelo Valadares. 

“Principalmente quando falamos sobre os graus mais leves do TEA, é muito comum que pais, que começam a entender melhor o assunto após diagnosticarem seus filhos, descubram que convivem com o autismo há anos. Muitas vezes, existe uma discreta dificuldade para interação social, mas essas pessoas são consideradas apenas tímidas, e isso acaba anulando qualquer investigação.”

Já pesquisando sobre o TEA e percebendo suas próprias características, Luciana decidiu compartilhar sua suspeita com o clínico geral que a acompanhava pelo SUS. O profissional concordou com a hipótese, e realizou o encaminhamento para a neurologista. Foi quando o desgaste começou.

       Veja também: Diagnóstico de transtorno do espectro autista demora a ser feito no Brasil

“Na hora que eu entrei no consultório, a neurologista já disse que eu não era autista. Falou que eu estava lendo demais sobre autismo e por isso estava achando que tinha o diagnóstico, mas que isso era coisa da minha cabeça. A desculpa foi que eu era casada, o que não faria sentido para uma pessoa autista”, relembra. 

Além do próprio capacitismo da profissional em questão – uma vez que o espectro abrange diferentes graus de comprometimento das relações sociais, e uma pessoa autista pode perfeitamente desenvolver um relacionamento –, Luciana chama atenção para a questão racial, e conta que se sentiu negligenciada. 

“Eu sou uma mulher negra, então todas as vezes que eu tinha uma crise de descontrole era associada a transtornos mais marginalizados. O autismo não é um transtorno marginalizado. O autismo tem raça, tem classe. Sempre que a gente fala em autismo, nós imaginamos homens brancos muito inteligentes. E aí, quando você traz isso para mulheres negras, o que sobra? Nada. Sobra a gente tentando dar conta desse processo de forma solitária. Quando eu fui pra internet conhecer outras mulheres negras autistas, vi que as histórias batiam. São várias e várias mulheres negras que passam a vida toda sofrendo com o capacitismo, o racismo, e não têm acesso ao diagnóstico”, desabafa. 

 

Como é realizado o diagnóstico

Como já mencionamos, um caminho comum é que pais de filhos autistas, ao pesquisar sobre a condição da criança, percebem em si características semelhantes e busquem ajuda profissional. Mas esse não é o único cenário. 

Como o autismo afeta diretamente as habilidades sociais de comunicação e relacionamento, é comum que o indivíduo procure um serviço de saúde mental com outras queixas. É o que diz Ailton Martins, psicólogo, especialista em Análise do Comportamento (USP) e especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA (UFSCar).

        Ouça: DrauzioCast #142 | Como diagnosticar o autismo

“É comum que a pessoa se queixe da falta de conexão com outras pessoas, um certo distanciamento social. Essa dificuldade social pode gerar uma sensação de angústia, que às vezes pode se confundir com depressão e/ou ansiedade.”

Não é raro que o autismo venha acompanhado de outras condições, as chamadas comorbidades, principalmente na fase adulta. Os prejuízos provocados pela dificuldade de socialização e a autopercepção negativa podem desencadear transtornos de ansiedade e depressão, por exemplo. O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade também está associado ao TEA em 30% a 50% dos casos. 

“A dificuldade de atenção, a hiperatividade e a impulsividade são características comuns a ambas as condições. Os mecanismos envolvidos não são completamente elucidados; no entanto, alterações em redes neurais específicas foram propostas como déficits fundamentais tanto em TDAH como em TEA. Um estudo avaliou 19 meninos com TDAH e 18 com TEA contra 26 controles em situações de atenção focada e de atividades sociais enquanto sua atividade cerebral era mapeada. Tanto as crianças com TEA quanto aquelas com TDAH apresentaram alterações em redes específicas, mas com diferenças entre hipoativação (TEA) e hiperativação (TDAH)”, elucida o dr. Marcelo. 

Além das comorbidades de transtornos psiquiátricos, há também uma concomitância de distúrbios alimentares e gastrointestinais (relacionados principalmente a seletividade alimentar), epilepsia, distúrbios do sono, dentre outros. Tudo isso pode tirar o foco do diagnóstico principal, motivo pelo qual uma investigação profunda sobre o histórico do indivíduo é fundamental. 

        Veja também: TDAH pode surgir na infância e não some na vida adulta

 

O autismo da infância é o mesmo da vida adulta?

Grosso modo, sim. O que acontece é que pessoas que têm um diagnóstico tardio geralmente são aquelas que não tiveram dificuldade no desenvolvimento da linguagem, ou seja, não tiveram a manifestação mais conhecida do transtorno. Como os principais conflitos têm a ver com a sociabilização e com os padrões de comportamento e rotina repetitivos, adultos no espectro podem aprender a “mascarar” os sintomas. Alexandre Valverde, médico psiquiatra pela Unifesp, fala sobre esse processo.

“Por passar tanto tempo sem um diagnóstico, a pessoa pode ter desenvolvido mecanismos para lidar com os sintomas e as situações. É o que a gente chama de ‘masking’, um disfarce da própria condição. Seja porque veem que tal comportamento é visto como inadequado, não é bem aceito socialmente ou é incompreendido pelos demais. O adulto consegue modular o próprio comportamento, enquanto a criança não tem essa habilidade.”

Por isso, os desafios enfrentados pelo adulto no espectro são diferentes dos enfrentados pela criança. Isso também impacta a forma como as intervenções vão ser trabalhadas pela equipe multidisciplinar que acompanha o indivíduo. E quais são os desafios na vida adulta? O psicólogo Ailton Martins resume: 

“A criança autista tem o desafio de ser equiparada dentro do que chamamos de marcos do desenvolvimento. Por isso dizemos que quanto mais cedo se descobrir o diagnóstico, melhores são as chances de essa criança ter uma vida mais satisfatória e funcional. 

O adulto autista já passou por esse primeiro processo sozinho. Alguns vão ter uma necessidade maior de intervenção e apoio. Já outros podem precisar de apoio em áreas específicas, como aprender a demonstrar sentimentos, se adaptar a um novo emprego e lidar com alterações na rotina.”

A chamada “rigidez cognitiva” é um dos maiores desafios para Patrícia, que, como artista, costuma ter uma rotina nem sempre estável. 

“Tenho uma rigidez cognitiva considerável, o que faz com que eventos surpresa possam me trazer muita ansiedade e até desencadear uma crise (meltdown/shutdown). Então procuro me programar com antecedência para qualquer coisa. Não consigo dar conta de muitos eventos no mesmo dia. Considero ir numa papelaria um evento, por exemplo.”



Hiperfoco

O hiperfoco é uma das características marcantes do autismo. É uma forma de hiperatividade que se dá no campo da atividade mental, e não na psicomotora (embora as duas possam existir ao mesmo tempo). É por isso que muitas dessas pessoas têm facilidade em dominar um determinado assunto, já que a facilidade em aprender se une ao grande interesse por uma única temática.  

O próprio dr. Alexandre Valverde, médico psiquiatra que colabora nessa matéria, foi diagnosticado como autista aos 42 anos. A suspeita de alguma alteração neurocognitiva já existia, observada por colegas que chegaram a apontar um possível TDAH, além de destacarem a inteligência acima da média de Alexandre. Ao receber o diagnóstico tardio, a ficha caiu. 

“Eu tenho um bom nível de interação social. Sempre tive mais dificuldades em começar relações afetivas, mas não em mantê-las, então encarava isso como um traço de timidez. Depois do diagnóstico, entendi por que tinha tanta facilidade para entender as coisas na escola e na faculdade. Só precisava assistir a uma aula ou a um procedimento uma única vez para aprender. Em compensação, tenho uma memória curiosa. Eu lembro de informações ligadas à ciência, mas tenho dificuldade de lembrar coisas mais simples, como o nome das pessoas ou situações do dia a dia”, relata. 

Além de médico, Alexandre fez mestrado em Filosofia, já escreveu um roteiro de longa-metragem, está produzindo uma série documental sobre autismo, e cuida de uma agrofloresta. “Eu tenho uma rotina rigorosa para conseguir dar conta de tudo isso sem ficar ansioso. A rotina me ajuda muito.”

 

Crises

Pessoas no espectro muitas vezes podem experimentar um esgotamento devido à sobrecarga social, sensorial ou emocional devido a uma hipersensibilidade. Situações como uma festa com muitas interações sociais, acúmulo de trabalho ou ambiente com muito barulho – o estímulo varia de pessoa para pessoa – podem desencadear as chamadas crises de meltdown, shutdown e burnout. Diferenciar cada uma dessas crises é importante para saber como auxiliar o indivíduo.

  • Meltdown: A crise é “externa”, se assemelhando a um colapso nervoso. Geralmente, acontecem em situações que provocam um aumento muito grande de ansiedade. Diante disso, a pessoa pode ter acessos de raiva e/ou ataques de pânico bastante agressivos, uma resposta do organismo aos estímulos negativos. 
  • Shutdown: A crise é interna, como um “apagão”. Diante de uma situação de muito estresse e sobrecarga, a pessoa se fecha, e pode apresentar comportamentos como o mutismo seletivo, olhar vazio e paralisação.
  • Burnout: É o esgotamento em si. Sua manifestação pode estar ligada ao esforço exaustivo de imitar comportamentos neurotípicos – de pessoas não autistas. Pode se assemelhar a uma depressão, já que há perda de interesse nas atividades que davam prazer e sentimentos associados à raiva e à depressão. Porém, diferente da depressão, o burnout costuma durar um tempo menor, e a pessoa se recupera após um tempo de recolhimento e repouso. 

No dia a dia, essas crises podem impactar a produtividade e a rotina do adulto autista. Por isso, quem convive com o indivíduo – seja no trabalho, na escola ou na faculdade, e no círculo social – deve ter sensibilidade às diferenças no modo de funcionamento da pessoa autista, assim como aprender a identificar os sinais das crises e respeitar esse momento.

 

Existe tratamento para o autismo

Como já mencionamos, o autismo é uma condição que não tem cura. As abordagens realizadas têm o objetivo de guiar o adulto num processo de autoconhecimento e independência, não de eliminar o transtorno. 

Como o transtorno do espectro autista atinge vários aspectos do desenvolvimento, o ideal é que o tratamento seja realizado por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogo, psiquiatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, fisioterapeuta, entre outros. As recomendações são individuais, então cada caso é analisado isoladamente para que seja montado um plano de intervenção que corresponda às necessidades de cada paciente. 

Gisele Belfiore, terapeuta ocupacional na clínica especializada em TEA, conta como funciona o trabalho no caso de pessoas diagnosticadas tardiamente. 

“É importante trabalhar na questão social, pois muitos autistas adultos têm seu diagnóstico contestado pelas pessoas à sua volta. É comum ouvir comentários como ‘como assim você só teve o diagnóstico na vida adulta? Você não é autista então!’. Esses questionamentos, além de não contribuir com a situação, podem causar prejuízo psicológico para o indivíduo, que se sente invalidado.”

Embora não exista um medicamento específico para tratar o autismo, antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor e outras classes de medicamentos podem ser indicados no tratamento das comorbidades. 

A terapia também é recomendada para autoconhecimento e para lidar com as questões gerais da vida, que podem ser sentidas de maneira mais intensa por quem tem o transtorno. 

“Pessoas autistas são seres humanos como quaisquer outros. Temos desejos, medos, sonhos, ansiedades que se beneficiam do acompanhamento terapêutico”, destaca o dr. Alexandre.

 

Para conhecer

Por muito tempo, as representações de pessoas autistas na cultura pop foram estereotipadas, aumentando ainda mais o estigma sobre o diagnóstico do autismo. A própria palavra “autismo”, aliás, tem sido discutida por movimentos de pessoas autistas por causa da conotação negativa que costuma acompanhar o termo. Por isso, tem sido cada vez mais comum ver por aí o termo “neurodivergente”, que parte da ideia de que não há normalidade quando se trata do cérebro humano, mas sim várias formas diferentes de funcionamento. 

Por esse mesmo motivo, pessoas autistas têm sentido a necessidade de criar projetos e iniciativas que falem sobre o autismo de uma perspectiva mais realista. Aqui vão alguns desses perfis para você conhecer e entender mais sobre o tema.

 

Adultos no Espectro

O projeto produz conteúdo voltado principalmente para jovens e adultos autistas. Foi iniciado, no Instagram, pelo neuropsicólogo Mayck Hartwig, especializado em adultos autistas. Ele e Patrícia Ilus se conheceram através da rede social, e logo ela passou a ser responsável pelas lives que contam com a participação de outras pessoas no espectro. 

“Para o mundo me dar a acessibilidade de que eu precisava, as pessoas precisavam aprender sobre a minha condição. É preciso que nos mostremos e falemos de nós mesmos pelo viés da diversidade e não da pena e da punição”, destaca Patrícia. 

 

Introvertendo

“Um podcast sobre autismo onde autistas conversam.” É assim que o Introvertendo se define. É o primeiro do Brasil formado somente por pessoas do espectro. Thiago Abreu, idealizador do projeto, conta que os cinco integrantes originais se conheceram em um grupo de apoio para pessoas com a síndrome de Asperger. A ideia não era falar apenas sobre autismo, mas falar com pessoas autistas. 

 

Uma Mãe Preta Autista Falando

Luciana Viegas é pedagoga, e se descobriu autista após o diagnóstico do filho. Como mulher negra, conta que a experiência foi solitária, e por isso começou a procurar histórias parecidas com a sua na internet. Foi assim que criou o perfil “Uma mãe preta autista falando”, onde discute neurodivergência, maternidade e raça. É também colunista da revista Autismo, a primeira sobre o tema na América Latina.